O que está acontecendo com a masculinidade do homem?

O homem e sua masculinidade tem sido causa de grande “discussão” no meio cristão e secular. É verdade, as culturas, em sua maioria, dos bárbaros aos judeus, dos romanos aos tupiniquins, eram machistas. Se o leitor vive na sombra da informação politicamente correta, vai achar estranho o fato de que, quem deu dignidade à mulher foi o Cristianismo. Porém, mesmo no mundo cristão tantas vezes o dom da mulher foi desvalorizado. Pegando esse nicho contraditório, com potencial revolucionário, ideólogos de uma revolução cultural, passaram a utilizar a causa da mulher (assim como a do pobre, a do negro, a do homossexual, a da natureza etc.) como ferramenta de uma reengenharia cultural.

O feminismo e depois a ideologia de gênero desfiguraram por completo o dom de ser mulher e o dom de ser homem.

Os homens se perguntam: o que há de bom em ser masculino?

Na propaganda feminista tudo no masculino parece agressivo, pesado, ultrapassado e até nojento. O pai ganhou o título de “patriarcal dominador” e seu “modus operandi” se tornou opressor. Sem aprofundar na questão, mas o curioso é que todos os gêneros podem ser masculinos, menos o homem. Um exemplo? Se um heterossexual branco exagerar na paquera, será assédio sexual. Porém, se uma mulher ou um homossexual assim o fizer com um homem e esse achar ruim, ele será frouxo ou homofóbico. Resta ao homem abrir mão de sua identidade e assumir características femininas, como a vaidade. Então, vamos todos ao salão fazer as sobrancelhas. Como se já não fosse o bastante, o homem que supera tudo isso tem mais um problema.

Onde está a mulher em meio a esses fatos?

Na linguagem do Livro do Gênesis, o homem sai do seu torpor ao encontrar a mulher: “Essa, sim, é osso dos meus ossos, carne da minha carne” (Gn 2,23). É a mulher que retira o homem do torpor e gera encantamento, fascinação pela vida. Porém, o feminino desapareceu, a mulher “empoderou-se”. A relação de oblatividade dada pelo Criador, tão bela e sábia, expressa nos corpos masculinos e femininos, desapareceu. O homem que é doador de si à mulher, e por ela, à Criação, não tem mais a mulher para doar-se, simplesmente porque ela se tornou feminista, poderosa, dona de si e independente.

A mulher, que é a que recebe do homem, e recebe porque o conquista, não quer mais ser conquistada, mas quer ela mesma conquistar o homem, o mundo do trabalho e tantas vezes, nem mesmo o homem, mas outra mulher.

E as poucas femininas que restaram, tantas vezes, no mundo erotizado, querem mais seduzir para si do que conquistar para o seu dom. Perdido em sua identidade, pesquisas mostram que, dentre os jovens que tiram a sua vida, 77% são do sexo masculino.

 Um flagrante de que especialmente os meninos se perderam na própria existência.

Não obstante isso, o dom do masculino na obra da Criação, e expresso no corpo masculino, é por demais belo. Falamos do dom da virilidade, que no macho espiritual, além daquelas características naturais que devem ser moderadas nas virtudes (apetite sexual, competitividade, agressividade, força física etc. é um caráter que se constrói.

A grande marca espiritual da masculinidade é o sacrifício. O homem encontra pleno sentido na sua masculinidade na medida em que se doa àquela, àqueles e àquilo que lhe foi confiado. Ao homem cabe o altruísmo heroico e valente na sua missão de proteger, prover e educar. São Paulo conclama aos maridos a doar a suas vidas, tendo como modelo o homem perfeito, Jesus Cristo: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25). A plenitude da masculinidade é a paternidade. Todo homem deve amadurecer para ser pai, seja biológico, seja espiritual.

A paternidade tem três marcas, a que já me referi acima: proteger, prover e ensinar.

Especialmente esse último, cabe ao pai ensinar na disciplina e nas virtudes seus filhos e filhas. Para mim, a imagem do homem de Deus é a do cavalheiro. Ele não é dominador e predador do feminino como no caso do bruto, mas tem ao mesmo tempo a virilidade masculina, sempre moderada nas virtudes, e a capacidade, dentro de um limite próprio, de coisas como uma sensibilidade, tão brilhante no feminino. O cavalheiro é admirador do feminino, seus dons e riquezas, e assim sabe se doar, respeitando nela, e em tudo, o jeito de ser e receber.

Por André Luis Botelho de Andrade