Compartilhe!

Minha família está abalada pelo alcoolismo

Quando uma pessoa da família é alcoólatra, todos sofrem. O alcoolismo na família fez parte da vida de muita gente, a maioria de nós sofreu com esse problema, de uma forma ou de outra. Talvez você sinta o que o salmista sentiu: “Fizeste ao teu povo duras coisas, fizeste-nos beber o vinho da perturbação […] Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua destra e ouve-nos” (Sl 60.3, 5).

Uma das perguntas é se o alcoolismo é um pecado ou uma moléstia. O alcoolismo é uma doença, mas o alcoólatra ainda é responsável pela decisão de beber ou não e de aceitar ou rejeitar ajuda para vencer o problema.

Há possibilidades de vencer o alcoolismo?

O primeiro passo que você deve dar é tornar-se perita em alcoolismo lendo bastante a res­peito e frequentando um grupo de Alcoóli­cos Anônimos ou grupo de apoio às famílias de alcoólatras.

Não há atalhos, você tem um grande problema em sua família e provavel­mente já tentou solucioná-lo de diversas maneiras. Talvez já tenha jogado fora todas as bebidas alcoólicas existentes em casa, im­plorado, implicado, berrado, raciocinado, bar­ganhado, pedindo a outros que não deem be­bidas a ele, ameaçado com separação ou di­vórcio, mantido um registro de quanto seu marido bebe, indo procurá-lo ou cortado as finanças. E nada funcionou. Esses métodos não ajudam.

Quais os passos importantes que você pode dar?

A confrontação não tem relação alguma com julgamento. Ela aponta fatos e trata do seu relacionamento com seu marido; seu propósito é o de salvar, guardar o amor, curar o relacionamento e ajudá-lo a crescer.

É necessário evitar certas coisas para aju­dar seu marido. Ao fazer as mudanças, não ex­plique o motivo, não tente ser a terapeuta dele, não lhe pergunte por que faz o que faz e não faça ultimatos que você não está pronta para cumprir.

Confronte-o sempre que você achar que a bebida está afetando você e seus filhos.

Conversar no dia seguinte, em geral, é a melhor hora. Não tente nunca conversar com ele quando ele estiver sob a influência do álcool. Fale de fatos e diga o que quer – imediatamente. Diga-lhe o que ele fez e como isso a fez sentir-se.

Não dê uma de moralista nem pregue ou faça qualquer profecia sobre o futuro. Deixe de fora suas próprias opiniões e conclusões. Não seja repetitiva. Não importa se seu marido indicar ter ou não ouvido.

Seu tom de voz é a chave.

E for moralista e condenatório, você o perdeu. Não expresse raiva ou medo. Mantenha a voz tão neutra quanto possível. Use mensagens que traduz o seu ponto de vista.

Se seu marido a acusar ou se enraivecer, fique longe de uma discussão. Não é esse o seu propósito.

Mencione as promessas que ele fez para relembrar-lhe que espera que as cumpra. Você pode recomendar os Alcoóli­cos Anônimos (AA) ou outra organização semelhante, mas não fique repetindo o as­sunto.

Assegure-se de ter a informação à mão para o caso de ele atender à sua sugestão. Quando ele fizer algo, demonstre apreciação. Ele precisa dos seus elogios e re­forço. Se a bebida criou um conflito ou pro­blema para ele, não o socorra. Fique de fora e deixe que ele enfrente as consequências.

O desligamento é parte do processo de mudar a si mesma, e isso precisa ocorrer.

Ele significa desligar seu envolvimento emocional com seu marido e as situações nas quais ele a mete. Isso não significa que você deixa de amá-lo ou se importar com ele, embora ele possa interpretar o que você está fazendo como sendo exatamente isso. Significa que você lhe permite experimentar plenamente as consequências negativas de seu comportamento alcoólatra. Isto é compaixão, não crueldade. De certa forma, esta é uma forma de amor firme. Ela se reflete em sua recusa de continuar encobrindo as faltas por ele. Deixe que ele ache um jeito de chegar em casa à noite.

Não ligue para seu escritório dizendo que ele está “doente”. Não o socorra financeiramente. Se ele for pego dirigindo alcoolizado, deixe-o ficar na cadeia por algum tempo. Já vi isso fa­zer maravilhas. Não tolere nenhum abuso fí­sico ou verbal.

Intervenção. Há alguns anos pensava-se que os alcoólatras precisavam “chegar ao fundo do poço” antes de procurar qualquer tipo de ajuda. O advento do processo de intervenção, contudo, ajuda a levantar o “fundo” e fazer com que ele ocorra mais cedo.

Aqui está uma descrição do que é uma intervenção, conforme descrita por Pauline Bartosch, co-fundadora de Overcomers Outreach Inc. (uma entidade de alcoólatras em recuperação), que é um dos melhores ministérios existentes para ajudar no alcoolismo e em outros vícios.

A intervenção é geralmente bem-sucedida apenas quando executada com a ajuda de um conselheiro profissional especialmente treinado em técnicas de intervenção.

Os membros da família NUNCA devem achar que podem fazer isso sozinhos.

As emoções estão demasia­damente envolvidas, o que torna a objetivida­de praticamente impossível. Embora puxar o tapete de debaixo de uma pessoa quimicamente dependente seja difícil, é com frequência o maior favor que podemos fazer por ela e tal­vez até salve sua vida.

Você já não pode se dar ao luxo de fazer ameaças ocas que nunca são cumpridas. Precisa perguntar a si mesma: “O que estou disposta a arriscar para salvar a vida dessa pessoa?” Então você oferece ao seu ente querido viciado a ESCOLHA de procu­rar ajuda ou possivelmente renunciar ao em­prego, ao seu lar ou até mesmo à família.

Lidar com esses fatores nem sempre é fácil, mas algumas decisões devem ser tomadas para que a pessoa que você ama tenha uma qualidade de vida, invista, pense e ore! Lute por essa vida, Jesus deu a d’Ele por nós, não podemos desistir de ninguém.


Josué Gonçalves

É Terapeuta Familiar, reconhecido como uma das maiores autoridades na área de família do Brasil, Pastor sênior da Igreja Família Debaixo da Graça, Teólogo com especialização na área de aconselhamento, autor de 23 livros, incluindo o Best-Seller “104 Erros que um casal não pode cometer” com mais de 200 mil cópias vendidas. Lidera a Conferência Nacional anual Pastor Discipulando Pastor. Dirige um Programa de TV em rede Nacional voltado para família há mais dez anos, fundador do Ministério Família Debaixo da Graça, tendo ministrado e treinado líderes e casais em todo o Brasil e outros países como EUA, Japão, Canadá, Portugal, Irlanda do Norte, Espanha, Itália, Luxemburgo e Alemanha.

Compartilhe!
Colabore!

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *
You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>