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Meu marido é alcoólatra e agora?

Quando uma pessoa da família é alcoólatra, todos sofrem. A maioria de nós sofreu com esse problema, de uma forma ou de outra. Talvez você sinta o que o salmista sentiu: “Fizeste ao teu povo duras coisas, fizeste-nos beber o vinho da perturbação […] Para que os teus amados sejam livres, salva-nos com a tua destra e ouve-nos” (Sl 60.3, 5).

Uma das perguntas é se o alcoolismo é um pecado ou uma moléstia. O alcoolismo é uma doença, mas o alcoólatra ainda é responsável pela decisão de beber ou não e de aceitar ou rejeitar ajuda para vencer o problema.

Há possibilidades de vencer o alcoolismo?

O primeiro passo que você deve dar é tornar-se perita em alcoolismo lendo bastante a res­peito e frequentando um grupo de Alcoóli­cos Anônimos ou grupo de apoio às famílias de alcoólatras.

Não há atalhos, você tem um grande problema em sua família e provavel­mente já tentou solucioná-lo de diversas maneiras. Talvez já tenha jogado fora todas as bebidas alcoólicas existentes em casa, im­plorado, implicado, berrado, raciocinado, bar­ganhado, pedindo a outros que não deem be­bidas a ele, ameaçado com separação ou di­vórcio, mantido um registro de quanto seu marido bebe, indo procurá-lo ou cortado as finanças. E nada funcionou. Esses métodos não ajudam.

Quais os passos importantes que você pode dar?

  1. A confrontação não tem relação alguma com julgamento. Ela aponta fatos e trata do seu relacionamento com seu marido; seu propósito é o de salvaguardar o amor, curar o relacionamento e ajudá-lo a crescer.

 

  1. É necessário evitar certas coisas para aju­dar seu marido. Ao fazer as mudanças, não ex­plique o motivo, não tente ser a terapeuta dele, não lhe pergunte por que faz o que faz e não faça ultimatos que você não está pronta para cumprir.

 

  1. Confronte-o sempre que você achar que a bebida está afetando você e seus filhos. A manhã, em geral, é a melhor hora. Não tente nunca conversar com ele quando ele estiver sob a influência do álcool. Fale de fatos e diga o que quer – imediatamente. Diga-lhe o que ele fez e como isso a fez sentir-se.

 

  1. Não dê uma de moralista nem pregue ou faça qualquer profecia sobre o futuro. Deixe de fora suas próprias opiniões e conclusões. Não seja repetitiva. Não importa se seu marido indicar ter ou não ouvido. Seu tom de voz é a chave. Se for moralista e condenatório, você o perdeu. Não expresse raiva ou medo. Mantenha a voz tão neutra quanto possível. Use mensagens que traduz o seu ponto de vista.

 

  1. Se seu marido a acusar ou se enraivecer, fique longe de uma discussão. Não é esse o seu propósito. Mencione as promessas que ele fez para relembrar-lhe que espera que as cumpra. Você pode recomendar os Alcoóli­cos Anônimos (AA) ou outra organização semelhante, mas não fique repetindo o as­sunto.

 

  1. Assegure-se de ter a informação à mão para o caso de ele atender à sua sugestão. Quando ele fizer algo, demonstre apreciação. Ele precisa dos seus elogios e re­forço. Se a bebida criou um conflito ou pro­blema para ele, não o socorra. Fique de fora e deixe que ele enfrente as consequências.

 

  1. O desligamento é parte do processo de mudar a si mesma, e isso precisa ocorrer. Ele significa desligar seu envolvimento emocional com seu marido e as situações nas quais ele a mete. Isso não significa que você deixa de amá-lo ou se importar com ele, embora ele possa interpretar o que você está fazendo como sendo exatamente isso. Significa que você lhe permite experimentar plenamente as consequências negativas de seu comportamento alcoólatra. Isto é compaixão, não crueldade. De certa forma, esta é uma forma de amor firme. Ela se reflete em sua recusa de continuar encobrindo as faltas por ele. Deixe que ele ache um jeito de chegar em casa à noite.

 

  1. Não ligue para seu escritório dizendo que ele está “doente”. Não o socorra financeiramente. Se ele for pego dirigindo alcoolizado, deixe-o ficar na cadeia por algum tempo. Já vi isso fa­zer maravilhas. Não tolere nenhum abuso fí­sico ou verbal.

 

 

  1. Intervenção. Há alguns anos pensava-se que os alcoólatras precisavam “chegar ao fundo do poço” antes de procurar qualquer tipo de ajuda. O advento do processo de intervenção, contudo, ajuda a levantar o “fundo” e fazer com que ele ocorra mais cedo. Aqui está uma descrição do que é uma intervenção, conforme descrita por Pauline Bartosch, co-fundadora de Overcomers Outreach Inc. (uma entidade de alcoólatras em recuperação), que é um dos melhores ministérios existentes para ajudar no alcoolismo e em outros vícios.
    A intervenção é geralmente bem-sucedida apenas quando executada com a ajuda de um conselheiro profissional especialmente treinado em técnicas de intervenção. Os membros da família NUNCA devem achar que podem fazer isso sozinhos. As emoções estão demasia­damente envolvidas, o que torna a objetivida­de praticamente impossível. Embora puxar o tapete de debaixo de uma pessoa quimicamente dependente seja difícil, é com frequência o maior favor que podemos fazer por ela e tal­vez até salve sua vida. Você já não pode se dar ao luxo de fazer ameaças ocas que nunca são cumpridas. Precisa perguntar a si mesma: “O que estou disposta a arriscar para salvar a vida dessa pessoa?” Então você oferece ao seu ente querido viciado a ESCOLHA de procu­rar ajuda ou possivelmente renunciar ao em­prego, ao seu lar ou até mesmo à família.

Lidar com esses fatores nem sempre é fácil, mas algumas decisões devem ser tomadas para que a pessoa que você ama tenha uma qualidade de vida, invista, pense e ore! Lute por essa vida, Jesus deu a d’Ele por nós, não podemos desistir de ninguém.


Josué Gonçalves


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