Assisti um filme e soltei um marginal dos porões da minha alma

Cinema é faca de dois gumes, é poderoso vendedor de valores e de estilo de vida. A exposição de 90 minutos a um filme, que mexe com toda sorte de emoções abre os portões da mente para receber o recado que o roteirista quis transmitir. Se a mensagem é boa, que maravilha, poder crescer e aprender, enquanto se desfruta do êxtase de sentidos, sentado em seu sofá.

Porém, o outro lado da faca é cruel e amolado, é cru e sem piedade. Os desejos mais sórdidos são explorados, expostos e exaltados. Um usuário de heroína pode ser apresentado como um verdadeiro herói, enquanto sua viagem é representada com música inebriante e imagens maravilhosas. Pode ser também um adultério, ou uma relação ilícita, em que o personagem principal se envolve com belíssima protagonista em cenas de erotismo bem produzido.

Pode ser uma relação sádica e completamente pervertida, mas quando está bem iluminada e maquiada; e quando a atriz finge prazer ao ser torturada, o crime é promovido a categoria de elegância e status. Como em um sonho, os limites morais são postos de lado, os desejos proibidos são explorados e o pecado é bebido na segurança da sala da sua casa. Bandidos se matam, soldados se explodem e você continua saudável, intocável, sem sangue nas mãos ou buracos no corpo.

Talvez aí esteja a magia do cinema, que não somente conta uma história, mas que mostra com som dolby surround e estéreo, em tela gigante e curva e com efeitos 3D as cenas que antes só podiam ser parcialmente imaginadas. Agora são produzidas por dezenas de profissionais e milhares de dólares. Preciso confessar, amo cinema, mas preciso aprender a apreciar a sétima arte sem escancarar as prisões da minha alma, onde mantenho bem acorrentados e silentes os espectros monstruosos mais terríveis da minha alma.

Enquanto assistia uma obra cinematográfica que retratava a vida de um traficante de drogas sul americano me vi torcendo e admirando o bandido. Passei a curtir seus cacoetes, sua maneira de parar, seus métodos práticos e eficazes de superar e eliminar obstáculos (normalmente policiais e aliados descartáveis), e passei também a beber de seu desejo insaciável de conquistar mais influência, mais poder e mais grana. Findos os 90 minutos, voltei aos meus afazeres, mas o filme continuou sua projeção dentro de mim.

Na medida em que vivia normalmente, os flashes de adrenalina e prazer me invadiam os sentidos, enquanto me lembrava das cenas. Com um balançar de cabeça voltava meus pensamentos ao cotidiano. Cada vez mais aqueles pensamentos e sentimentos me assolavam. Proibidos, se escondiam e aguardavam, para poder causar estragos na bem ornamentada casa da minha alma redimida. Sem perceber, eu havia disparado um poderoso processo, desejos bandidos, pervertidos e abjetos se moviam desordenadamente na minha mente e os policiais da moral trabalhavam para colocar a casa em ordem.

Aquele paradoxo estava me cansando. Meu desejo mais profundo de ser como meu Mestre Jesus, que é manso e humilde estava em guerra contra a admiração e o deleite dos pecados do submundo do crime. Depois de alguns dias de trabalho intenso e frustrante, percebi que até o meu momento devocional, no qual eu me trancava no quarto para orar, ler, meditar e me encontrar com meu Criador estava enfraquecido e superficial. Foi quando encontrei uma pepita de ouro nas escrituras sagradas:

Inclina- me o coração aos teus testemunhos e não à cobiça. Sl 119:36

O autor pedia que Deus agisse no seu interior para que ele desejasse, para que ele conseguisse, para que ele se deleitasse nas palavras do próprio Deus. A sensação é que ele sabia que devia, mas que não conseguia sozinho. Fui pesquisar a palavra cobiça e descobri que tratava-se justamente do mesmo “bandido” que trazia desordem ao meu mundo interior.

Talvez fosse assim a oração do Salmista: “Me ajude a voltar, a desejar e conseguir pensar nos seus valores, ter os seus pensamentos e emoções e não ficar pensando no lucro, no ganho injusto, adquirido por meio de violência”. Olha que ele nem tinha cinema naquela época! Porém, ele também precisava parar aquele processo no interior dele.

Li o versículo seguinte:

Desvia os meus olhos, para que não vejam a vaidade, e vivifica- me no teu caminho. Sl 119:37

O salmista precisava de ajuda para se concentrar no santo caminho e para não ficar olhando involuntariamente para a vaidade, que quer dizer: “vacuidade, vazio de fala, mentira e inutilidade de conduta”. Me ajude, ó Deus a não ficar olhando e desejando filmes que propagam a mentira e condutas inúteis para os teus propósitos, pois eles têm o poder de matar a alma que busca o Senhor.

O verso continua e pede vida. “Vivifica-me”, liberta-me, prende os pensamentos desordeiros e encarcera-os nos porões da minha alma maculada pelo pecado original. Assim como nos filmes em que a polícia comum não consegue combater os vilões, assim também na minha vida, preciso do super herói Jesus, que usa seu sangue e anula a ação da mentira e do pecado dentro de mim, enquanto estabelece novamente a ordem e a paz na minha casa, que fica novamente varrida e ornamentada.

Afastar-se sutilmente de Deus e do caminho é humano, porém o retorno depende da bondade constante do Sobrenatural. Cinema é legal e deve ser abraçado com muito cuidado. Minha recomendação é que sejamos consumidores ávidos de conteúdos evangélicos, pois quanto mais assistirmos, comprarmos e patrocinarmos, mais irmãos serão roteiristas, produtores e atores que usam a sétima arte para propagar a maior mensagem de todos os tempos: o Evangelho.

Deus quer que o homem fique de bem com Ele e quer se relacionar para que a humanidade o conheça e glorifique sua graça imensurável. Prestigiemos a filmes que anunciem a verdade e nosso interior será uma festa de celebração ao Deus vivo.

 

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